• Alessandra Mateucci

Life Style: viajante

Atualizado: 1 de Nov de 2018

Compre experiências e não coisas.


"Carro com cheiro de novo, sapatos e roupas da última coleção ou a caríssima luminária criada por seu designer preferido. Comprar o que desejamos é um dos caminhos mais fáceis – e talvez enganosos – para a felicidade."


Eu me lembro como se fosse ontem da minha primeira viagem internacional. Comecei bem: Disney! (2015).


Nove horas de um voo, tranquilo, eu diria, - pra aqueles que não tem pavor de avião (o que não era o meu caso). Lá estava eu, em solo americano, o mínimo de inglês na cabeça e olhinhos marejados. Se a Disney era o meu sonho? Não! Viajar o mundo? Também não o era. O choro foi porque eu pude pagar... Era o resultado dos meus planos, sacrifícios, economias. Chorei porque eu estava ali por mim, e só!


- "Tripulação, pouso autorizado".

- "Ufa, ainda bem que o avião não caiu!"


Sorrisinho sem graça e só gratidão no coração. Tô aqui, agora, tentando entender o tamanho da alça da minha bolsa. (????)

De lá pra cá trabalhei pra comprar tantos momentos que, sinceramente, não sinto falta do carro do ano; teto solar; apartamento com varanda; do apple whatch rose de última geração.


- Dos mochileiros aos resorts all inclusive: viajar é realizar-se!


Uma pesquisa feita pelo SPC Brasil, em 2015, revelou que o maior sonho de consumo dos brasileiros é... TCHARAM! VIAJAR. Confere, aí:


Ficou surpreso? Eu não! E porque raios as pessoas não investem nos seus sonhos, gente?


Caso você tenha nascido no final da década de 80, início de 90, como eu... CONGRATULATIONS! Vivemos em uma geração que começou a questionar a velha fórmula: escola, faculdade, bom emprego, carro do ano, casa própria, casamento, filhos, patrimônio para os netos e morte.


Hoje, você pode viajar pelo mundo e decidir o que fazer depois. Pode se formar primeiro, dedicar-se a um bom emprego, pular a parte do carro, casa e casamento, e viajar muito (prazer, eu! =D). Ou pode casar-se, ter filhos e levar cônjuge e crianças como companheiros de aventuras. Você pode fazer o que quiser. Mas, faça!


Não precisa ser o melhor roteiro turístico; nem a cama com lençol 713 mil fios egípcios; muito menos as reservas nos melhores restaurantes com estrelas miche sei lá o quê... Se você tem condições pra isso, ótimo! Não é o caso? Vá como der. Vá ver o mundo passar em um copo de café numa esquina movimentada qualquer.


- Compre experiências e não coisas!


Comprar qualquer objeto, um doce, um livro, ativa em nosso cérebro mecanismos químicos de recompensa. Dá prazer. O problema é que a felicidade do consumo se dissipa antes mesmo da fatura do cartão de crédito chegar! Daí nasce um ciclo vicioso: repor o prazer da compra com outra compra. E isso tem até nome, viu?! É a esteira hedonista (aqui vai um link, pra quem quiser saber mais, de um artigo antigo, mas completo, publicado na New York Magazine).


A solução? Consumir melhor! Ou seja, consumir experiências no lugar de coisas. Os momentos, ao contrário das coisas, se fixam na memória e são revividos sempre que compartilhados, expandindo a percepção de prazer: a nossa e a de pessoas com quem dividimos.


Quer ver?


- "É neve!!!!!!!" Eu gritava. Olha essa foto: eu não sabia se sorria, se chorava, se agradecia, se acreditava, se filmava, se fotografava ou só sentia. Sinto até hoje, só de olhar a imagem.

Enquanto as coisas que compramos ficam em garagens, armários ou prateleiras, as experiências tornam-se parte do que somos. “É o oposto da noção errada de que produtos duram e vivências são fugazes”.

- Não é preciso ser rico para escolher experiências, e não coisas.

Falando em viagem pra Disney; depois daquela primeira vez, voltei à Miami mais 2 vezes. Na última delas, me hospedei na casa de uma família, por meio do Airbnb. Era um casal com uma filha e o Monthy, um lindo cachorro. A casa era maravilhosa (indico e compartilho o contato da Maria Elena - dona da casa! Entre em contato comigo, se quiser!)


Mas, o que eu quero contar... aliás, sobre quem eu quero falar, é do marido da Maria Elena, um senhor uruguaio, super vivido, prestativo e que não deixou que eu fosse bater perna, um dia sequer, sem antes tomar um café da manhã em sua companhia.


Em um dos dias de minha estadia, durante o café, o senhor uruguaio contou das experiências dele, da vida nada fácil que teve, das dificuldades que enfrentou para chegar onde estava e me fez refletir sobre muitas coisas. Me perguntou o que eu fazia ali e sobre meus planos de vida. Me olhou nos olhos e disse: "filha; se o meu conselho lhe servir, gaste seu dinheiro com momentos como esse. Viaje! O mundo todo, se conseguir! Economize pra isso."


Achei fofo! Ele finalizou: "Tenho 80 e poucos anos! Já apanhei muito da vida! Não tenho muito patrimônio, mas tenho muitas e boas histórias pra contar. Gastei com experiências! Viajei muito. Vivi. Foi o suficiente."


Disfarcei a emoção. Redefini as prioridades. Segui o conselho. Quero ter 80 e poucos; anunciar minha casa no Airbnb; preparar café para os meus hóspedes e contar-lhes do cheiro que o mundo tem.


Acredite! Em pouco tempo, viver naquela casa dos sonhos vira rotina, o carro perde o cheiro de novo, a bolsa sai de moda; o sapato também!


Abra a sua mente! Muito mais que exibicionismo nas redes sociais, viajar refrigera a mente, ensina valores, escancara a diversidade cultural, ressignifica, transforma corpo.Te faz resiliente, grato, empático, feliz!


Vou finalizar com um breve texto que eu adoro.


“Eu imploro aos jovens que viajem. Se você não tem passaporte, faça um. Escolha um verão, pegue uma mochila e vá a Dehli, a Saigon, a Bangkok, ao Quênia. Fique extasiado. Coma comidas interessantes. Curta pessoas interessantes. Aventure-se. Seja cuidadoso. Volte e verá o seu país de uma maneira diferente, seu presidente de maneira diferente, não importa quem seja. Música, cultura, comida, água. Seus banhos se tornarão mais curtos. Você terá uma noção sobre o que é globalização. Não é aquilo que Tom Friedman escreve, sinto muito. Você verá que a mudança climática global é muito real. E que para algumas pessoas, o dia consiste em caminhar 20 km para buscar 4 baldes de água. E que existem lições que não se pode tirar de um livro, pois elas estão esperando por você ao final de um voo”. — Henry Rollins


E você? Também ama comprar experiências? Conta pra gente!


Um beijo, viajantes!

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